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  • A Freguesia

    28/12/2012 00:00:00

     CARACTERIZAÇÃO DA VILA DE
                AMIAIS DE BAIXO 
                A vila e a freguesia de Amiais de Baixo fica implantada em vale, a sul do chamado Maciço de Porto de Mós, tendo a poente o Oceano Atlântico, a NNoroeste a Serra dos Candeeiros e a norte a Serra d’Aire. É constituída exclusivamente pela povoação do mesmo nome, dista 31 km da cidade de Santarém sede de concelho, e nela habitam 2000 pessoas.
                O seu nome é associado a possível existência de muitos amieiros nas margens da ribeira que atravessa e desagua junto a nascente do Rio Alviela.
                A agricultura sempre deteve pouca importância na actividade de economia da freguesia, tendo sido os Amienses sobretudo lenhadores e serradores. Hoje em dia graças a capacidade empreendedora e dinâmica das suas gentes a actividade comercial e industrial desempenham um papel importante na actividade económica da freguesia.
                Segundo Albertino, Henriques Barata (1976)
     
                “O povo é, sobretudo, inteligente, activo e desembaraçado e à sua frente raramente surgem dificuldades que não possa resolver.”
     
     
    Amiais de Baixo é uma localidade que dista cerca de 30 Km da sua sede de concelho, Santarém, capital de distrito. Segundo a Lenda, verosímel, foi um local de refugio de Judeus durante o periodo da inquisição (os nossos vizinhos são apelidados de Rabinos), tendo estas gentes adoptado nomes de plantas, árvores nos novos nomes (Pereira, Silva, Parreira, Oliveira, etc, etc). Não é uma terra atravessada por qualquer via de comunicação importante. Talvez por isso, desde muito cedo, o homem de Amiais se tornou “independente” em relação ao poder. O poder e a governação sempre foram vistos como algo que bloqueava a sua iniciativa e lhe poderia “roubar” tudo o que ele angariava com a sua faina do dia a dia. Eram forças que apenas serviam para a atrapalhar. Talvez por ter pertencido a várias freguesias e concelhos, nunca houve uma verdadeira afinidade por esta terra à sua sede de concelho, actual ou anterior. Assim sendo, e porque Amiais de Baixo é das freguesias mais distantes de Santarém, não admira que esta aldeia (ao tempo, agora Vila) fosse crescendo desordenadamente.
    No entanto o homem de Amiais nunca se poupou a esforços para que, no seu entender (e era um entender bastante convicto), a sua terra fosse falada em Portugal. Conforme reza o diccionario geográfico do Padre Luiz Cardoso, de 1747 (reinado de D. João V), “ A mayor conveniência deste povo, he a grande quantidade de pinho que conduzem para a Corte de Lisboa”. Como se pode ver os seus homens iam aos locais mais importantes do país e davam a conhecer as suas gentes e os seus ofícios. Mas não ia só aos locais mais importantes, também ia ao lugar sem importância, desde que isso lhe trouxesse beneficio. Poderia ser ao sitio mais recôndito, com dificuldades extremas, que o homem de Amiais não teria qualquer problema em enfrentar o desafio e a célebre frase “O povo é, sobretudo, inteligente, activo e desembaraçado e à sua frente raramente surgem dificuldades que não possa resolver” aplica-se-lhe na perfeição.
    No entanto e pese alguma fama e opinião contrária, o homem de Amiais nunca procurou muito o bem colectivo. A confirmar esta tese temos que na freguesia e freguesias limítrofes, todas as propriedades, são propriedade privada de homens de Amiais. Os únicos terrenos públicos que existiam até há bem pouco tempo em Amiais de Baixo, eram aqueles ocupados pelas Escolas Primárias. As propriedades, quase todas elas, pequenas parcelas de terrenos, eram (são-no ainda) vistas como se se perpetuassem para os seus descendentes. Assim, nunca houve beneméritos de bens ou outros para o Bem Comum, nesta freguesia, à excepção do Sr. Branca Lucas que deu uma pequena parcela de terreno ao Clube de Futebol (por acaso foi dado o seu nome a uma Rua de Amiais, conhecida por um nome bastante sui generis). O homem de Amiais (continua-se a falar no homem de Amiais, propositadamente) procurava, isso sim, o seu bem estar e o dos seus. No entanto estava ciente que esse “seu bem e dos seus” iria desenvolver a sua terra. O homem de Amiais não se poupava a sacrifícios. As profissões eram das mais duras, como serradores, ferreiros, agricultores, etc. A escola não era essencial. A partir dos 8, 9 e 10 anos toda a gente tinha de trabalhar. Não havia trabalho na terra? Então havia que procurar fora dela. E Eles aí vão. São homens de Amiais que, com suas serras e seus pontais vão em busca de seu pão. Eram sobretudo serradores de madeiras. Andavam centenas de quilómetros, sobretudo pelo Alentejo e Beiras. Qualquer palheiro lhe servia para habitação. Quando regressava, pelo Natal, pela Páscoa, pelo S. João e pelos Santos, havia sempre grande festa na aldeia. No entanto, do Natal à Páscoa existia uma grande distância de tempo, e, segundo reza a lenda, após uma carta de marido para esposa, a centenas de Km: “Maria eu cá ando pelas areias. Só espero que não metas porras alheias”, ao que ela respondeu “ Manel, Pardal tem fome, palha não come, se não vieres durante este mês tenho que meter outro freguês”, pois foi a partir daqui, diz-se, que nasceu A FESTA de Amiais de Baixo, já com séculos de existência, em Fevereiro.. Todos os anos uma semana antes do Carnaval (Em Domingo Magro) e de Sábado a Terça-feira seria efectuada a FESTA DE AMIAIS DE BAIXO. Ficou assim, como um ponto de referência onde toda a sua comunidade (de dentro e de fora) se reunia (reune). Era pela altura da Festa que a população procurava apresentar coisas novas. Eram mais casas, eram mais terrenos, eram mais bens. Eram também mais crianças, eram mais jovens. E depois lá iam outra vez os homens de Amiais. Em busca do seu pão correram vales e montes, beberam água em várias fontes, cozinhavam na sua caldeira, depois de tanta canseira. Então lembravam a família, estes homens de Amiais.
    E as mulheres? Mulheres de canseiras, mães casadas, mães solteiras. Todas elas sem nada fazerem tudo fizeram pela sua aldeia. Foram filhas trabalhadoras, foram mães, foram agricultoras. Mulheres de Amiais, que serviram para parir e pouco mais. Elas foram cozinheiras, elas foram pastoras, elas foram parteiras. Mulheres de Amiais, que serviram para parir e pouco mais. Mas foram elas fiandeiras, cozeram o seu pão, foram enfermeiras. Mulheres de Amiais, que serviram para parir e pouco mais. Criaram porcos, estrumaram as vinhas, foram elas que, com seus corpos, agasalharam seus filhinhos. Mulheres de Amiais, que serviram para parir e pouco mais. Fizeram rendas e enxovais, fizeram Luz, foram mulheres de Amiais, que serviram para parir e pouco mais. E as mulheres? Mulheres de canseiras, mães casadas, mães solteiras. Todas elas sem nada fazerem tudo fizeram pela sua aldeia. Foram filhas trabalhadoras, foram mães, foram agricultoras, . Mulheres de Amiais, que serviram para parir e pouco mais Mas foram cozinheiras, foram parteiras, foram agricultoras, foram fiandeiras, foram pastoras, cozeram-lhes o pão... Mulheres de Amiais, que serviram para parir e pouco mais…
     
    E Amiais foi crescendo, crescendo. Mais uma casa. Mais um lar. Mais uma Rua, mais uma estrada. Eram casas feitas pelos homens de Amiais, com a ajuda de poucos mais. Casas contíguas umas atrás das outras, feitas de pedra, feitas de adobos e da madeira cortada e serrada pelos homens de Amiais. Nas suas ruas estreitinhas, pois não se poderia perder terreno. Casa feitas, sem Sua Licença, pois a Amiais ia gente de Amiais e pouco mais.
    Com o aparecimento da Luz eléctrica (década de 50), o homem de Amiais adaptou-se logo a este bem. Rapidamente construiu cerâmicas de telha e tijolo e serrações mecânicas. E a sua atenção continuava nas “suas coisas essenciais”, eram homens de Amiais. Consta-se que, por esta altura, pessoas bem parecidas, jovens talvez formados, se deslocaram a esta terra para efectuar um estudo sobre as suas gentes, as suas casas, como viviam os homens de Amiais. Ao abordarem um Amiense, fizeram-lhe ver que Amiais necessitava talvez de um jardim, de Árvores. Resposta rápida do homem “Árvores? Para quê? Há’í tantas! Flores? Para quê? Elas nem se comem!”. Isto mostra-nos o sentido prático do homem de Amiais. É um homem que vive no meio de árvores, no meio de plantas, que semeia sua sopa, que apanha sua fruta, como tal, talvez nem se dê conta ... . Não o choca o abate de tantas árvores. São necessárias e fizeram-se para o homem tirar partido delas.
    Por esta altura aparece, pela primeira vez a necessidade duma identificação da terra. Foi através do Desporto. Com grandes adeptos dos principais clubes de Futebol Nacionais. Um grande gosto de muitos rapazes em jogar à bola, vem um Professor para a Escola (Pr. Julio) que, vendo naqueles rapazes grandes aptidões, logo trata de encorajar um grupo de pessoas a formar uma equipa de futebol. Assim nasceu o Clube Desportivo Amiense, criado a 1 de Agosto de 1954. Por esta altura o Povo de Amiais começa a sedentarizar-se, as suas saídas não são tão necessárias, pois as novas fábricas empregam muita gente.
    No entanto com grande oferta de emprego, os salários são baixos e, novamente, o homem de Amiais sente necessidade de sair. E Eles aí vão. Não com suas serras e seus pontais, mas continua à procura do pão, estamos na época da emigração. E eles aí vão. Muitos homens partem. Clandestinos? Sim, quase todos. Alguns são presos. “Então que fizeste, Zé? Eu? Nada. Não roubei ninguém.” Era nesta altura o sentimento que se sentia em Amiais, sempre que alguém era preso. O homem de Amiais só queria trabalhar. Só queria o seu pão. Só queria mais uma casinha para a sua filhinha. Mas depois quando regressava a casa, passados 1 ou 2 anos, lá vinha o homem de Amiais para fazer algo mais. Iniciar mais uma casa. Clandestina? Talvez. “Licença? Então os homens da Câmara nunca cá vêm. Nunca nos deram nada.”.
    Mais uma rua. Estreita? Sim, desde c’a carroça passe.
    E mais um homem parte. E a seguir parte outro. França é o seu principal destino, mas também Alemanha, Holanda, Estados Unidos, Canadá, etc., etc..
    E a mulher? A mulher de Amiais continua a ser mulher de canseiras. Mulher que semeia o pão. Mulher que trabalha a vinha. Mulher sem sono. Mulher que cose o pão. E também boa mãe, que só procura o bem.
    Mulher que para melhor sustento já faz tijolo, já faz telha. Mulher que já trabalha. Mulher de Amiais que já não serve só pra parir e pouco mais.  Mulher de Amiais que já manda o filho à escola. Já tira a 4ª classe. E vieram as professoras
     
    E mais uma casa, um novo Lar. Nova fábrica e Amiais cresce cresce.
    E as árvores? Árvores para quê? Há’í tantas! Flores? Nem se comem.
    E as Ruas? Desde que passe a carroça. E as caminhetas cabem na Estrada Principal.
    E mais casas aí vêm. Mas vem a guerra colonial. E novas casas ficam por fazer. Todas as economias servem para “livrar” os mancebos à tropa.
    E vem o 25 de Abril. E o Amiense aproveita da melhor forma a revolução. Existe pleno emprego. Novos negócios se fazem. Todos os jovens estudam. Uma nova escola aí vem. E mais casas. E mais casas.
    E árvores? Árvores ... E flores? .....
    E mais casas. E mais fabriquetas. E mais construção civil. E mais mais mais...
    E Amiais cresce. Mais uma casa. Eh pá agora é preciso ir à Câmara. Tens de tirar a Licença. “Mas pa qué qu’isso serve? Quem é que te paga?” Não, é preciso a Licença! E lá se vai tirar a Licença. “
    Na Câmara: “Então o Sr. Quer fazer um prédio de 3 andares? Um de 1º não chega?” “Oh home atã é tenh 3 filhes. E lá vinha depois a resposta da Câmara “Atendendo ás características especificas de Amiais, aprove-se”, pode-se ler em muita actas dos últimos 25 anos no Município de Santarém. E Amiais foi crescendo. Desordenadamente é certo. Mas cresceu cresceu.
    E Árvores? Para quê? Há aí tantas e Flores? Elas nem se comem.
    E a mulher HOJE? Hoje saõ professoras, são engenheiras, são doutoras … São Mulheres de Amiais … que já não servem só para parir e pouco mais
    ...
    Como em todo o interior de Portugal, desde há 10 anos a esta parte a sua população parou de crescer, em 10 anos Amiais de Baixo perdeu 300 pessoas. Assim é de esperar que com um crescimento físico menor para os próximos anos a qualidade de vida dos Amienses aumente, nomeadamente com investimentos e obras já previstas desde há alguns anos. Com as obras concluídas da nova Sede da junta de Freguesia e Biblioteca, o Jardim de Amiais de Baixo e o largo da Igreja, o Lar de idosos em complemento ao Centro de Dia, com excelentes condições para a prática do Desporto e Educação Física, espera-se que as acessibilidades esta freguesia melhorem consideravelmente, que seja construída a Escola EB 0,1,2 integrada, um Centro de Saúde remodelado, com melhores condições e tudo o mais que a gente de Amiais almejar.
     

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